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CANSADA MAS FELIZ POR PODER AJUDAR

Ontem a noite me senti muito cansada. Realmente estressada. Hoje acordei mais tarde pois resolvi escutar meu marido e passar a fazer o meu próprio horário, sem olhar para os ponteiros de um relógio. Me considero uma pessoa normal embora muita gente me olhe como uma mulher de negócios, chata e intransigente. Aliás, conheço muita gente assim. Acredito que sou como pelo menos 90 por cento das brasileiras que estão dentro do mercado de trabalho. Corro o dia inteiro e enquanto faço o café da manhã já estou colocando roupa na máquina de lavar, ao mesmo tempo que procuro dar carinho aos meus cachorrinhos. Quando sento para tomar minha xícara de café com leite e comer meu pão com manteiga, leio algumas páginas de um livro ou as manchetes de um jornal e já sigo para o escritório começando a gostosa mas estafante luta do dia-a-dia que amo tanto, ocupando minha cabeça. Na maior parte das vezes o primeiro telefonema do dia é bom. Geralmente vem de uma amiga parceira com votos de alegria e bem estar. Mas, nem sempre isso acontece. Nestes vinte e poucos anos de trabalho no ramo artesanal me tornei praticamente uma psicóloga "ouvinte". Escuto o problema dos outros e peço ao bom Deus que me dê paciência para unir conselhos ao trabalho das artesãs. No fundo, no fundo isto me faz bem. Quantas vezes estou sentada no computador tratando uma fotografia para uma revista e entra na sala uma artesã aflita que aparece sem avisar, sem telefonar e desaba ao meu lado expondo problemas particulares. Ela passou pelo pessoal do escritório e simplesmente chegou. Não posso mandá-la embora e acabo me envolvendo mais uma vez na vida alheia, procurando escutar e acalmar a amiga. Lá se vai o meu tratamento da foto e o serviço urgente pelo ralo. Afinal, é mais importante o ser humano. Vocês devem estar achando que sou maluca e realmente sou maluca-feliz pois ter ao lado de minha mesa cheia de gráficos, fotos, textos, idéias uma companheira que acaba trazendo também novas idéias misturadas aos desabafos do mundo moderno é algo estranho mas gratificante. Uma sobrinha que está no escritório e o seu marido resmungam "pô Tia, a senhora é a dona disso aqui. O pessoal tem que avisar que vem. Não é só chegar e sentar... Elas as vezes passam pela gente e nem dão tempo para que a gente lhe avise.". Dia desses meu marido e o casal fizeram uma reunião e resolveram por ordem na bagunça mas não aguentaram nem 1 mês pois eu também não obedeci as suas ordens... Todas as mulheres artesãs ou amigas querem falar com a Adélia e sem ser metida "eu gosto disso". Estou contando um pouco de minha correria. Da comida mal e mal digerida, dos telefonemas atendidos na gritaria, da campainha tilintando sem parar. E... apesar de tudo sou feliz no que faço porque no final de tudo, da mesinha de minha sala e das cadeiras amontoadas em que sentam as amigas é que saem as novidades e são afinal produzidas as revistas. Cada artesã que trabalha comigo - não para mim - senta do meu lado de igual para igual e ajuda a lançar uma novidade. Tempos depois se a revista fez sucesso comemoramos e se o sucesso não foi enorme... também comemoramos, procurando acertar em outros pontos e melhorar mais e mais. Todas somos mulheres e é muito bom poder ajudar uma companheira com um abraço,um carinho, uma palavra amiga que a tira da depressão e do desânimo. As mulheres geralmente estão envolvidas com os filhos, os afazeres domésticos, os maridos, a falta de dinheiro e sofrem dores e choram por tudo isso. Quando eu consigo trazê-las para perto de uma atividade, pretendo lhes passar fraternidade, auxiliar no orçamento doméstico - mesmo de forma pequena - tirá-las do marasmo do dia igual ao outro dia, outro dia, outro dia. Por isso hoje sou feliz quando tenho muitas pessoas perto profissionalmente e mesmo quando recebo um e-mail ou telefonema em tom de crítica. A crítica e a auto-crítica me fazem crescer espiritualmente e desta maneira melhorar mais e mais e ajudar aos outros mais e mais. Que venham os telefonemas, as visitas, as amigas. Estou pronta para ajudar no que conseguir e puder, sempre.

Um comentário:

  1. OI AMIGA
    TEMOS UMA ROTINA DE TRABALHO MUITO PARECIDA, APESAR DO TRABALHO SER BEM DIFERENTE...ENFRENTO O MESMO PROBLEMA QUE VC: TENHO PILHAS DE DOCUMENTOS PARA DAR CONTA, MINHA MESA ESTÁ SEMPRE CHEIA DE PAPÉIS MAS AS PESSOAS ENTRAM, SENTAM E PRECISO OUVÍ-LAS E RESOLVER DIVERSAS SITUAÇÕES, NÃO CONSIGO DEIXAR DE ATENDER CADA UM QUE ENTRA, SEMPRE ME ENVOLVO.
    MAS É ASSIM MESMO: NÃO PODEMOS DEIXAR PASSAR O MOMENTO CERTO DE CADA ASSUNTO OU DE CADA PESSOA...
    BEIJOS AMIGA!
    UMA ÓTIMA SEMANA PRÁ VOCÊ!!!
    AMÁBILIS LUZ

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